

Leia o texto que ela encontrou nos favoritos do celular.
“Minha mãe sempre me dizia que Papai Noel só existia para quem
acreditasse nele. Convivi com essa frase enigmática até os 9 anos de
idade, quando, enfim, encontrei os presentes de Natal debaixo da
cama dos meus pais. Nesse dia, ele e eu nos despedimos sem
ressentimentos.
Sem a magia da fé, meus pais assumiram a tarefa anual do Natal e
nunca mais escrevi cartas.
Nós temos perdido a fé. E cada vez que deixamos de acreditar, as
coisas deixam de existir. (Pelo menos para a gente).
Não cremos na gentileza do outro, no abraço desinteressado, no sorriso gratuito. Sempre duvidamos se riam para nós ou de nós. E nos tornamos
cínicos.
Aqueles que perderam a fé em Deus, já não o veem mais.
Aqueles que perderam a fé na vida, já não vivem mais.
As mulheres não acreditam mais na fidelidade dos homens.
E os homens duvidam de suas mulheres.
Relacionamentos são rompidos e, corações, partidos.
Cada vez que duvidamos da bondade humana, deixamos de
estender a mão. Somos céticos. E descrentes, nos tornamos cegos.
E, a cada dia, vejo mais pessoas perdendo a fé no amor.
Aos pedaços, juntam seus próprios cacos, jurando nunca mais amar
ninguém. E cada vez que perdem a fé no amor, perdem a capacidade
de amar, perdem a disposição de enxergar outro homem, outra
mulher. Já não faz mais sentido escrever cartas, não faz sentido
receber presentes.
As mãos da bondade gratuita são substituídas por
trocas egoístas, brindam corpos cheios e almas vazias. Muita entrega
física de coração despovoado.
É preciso expulsar de casa a mentira que habita em nós, dizendo que
vive cá só para nos proteger do amor. Ninguém se protege disso e se
há resguarda, não há verdade.
Amar não é coisa tímida e só acontece quando a gente, mesmo
mergulhado em dúvidas, vai de cara lavada e peito escancarado.
Amar é para quem se joga no abismo das incertezas, com a fé de que
se criará asas depois do salto.
E se o voo não acontecer? Tudo bem também.
Mesmo que por breve momento, vai valer a pena voar ao lado dos
passarinhos, conversar com uma e outra nuvem e colher algumas
estrelas.
E, assim, transbordar de coragem para que durante a queda
se chova com a chuva, pois toda água que desce do céu, desagua em
algum lugar e se renova.
Então, deixe que as lágrimas inundem um mar inteiro, porque o amor
é bom velejador e águas calmas não fazem um bom marinheiro.”
